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mãos tremulas
escuto, as mãos entreabertas percorrendo o teu corpo recorrendo ao teu corpo fendido, pela ferrugem dos brinquedos antigos que guardas intactos
escuto, as mãos tremulas deslizando lentas ,por ti em ti
escuto, as mãos, silenciosas, masturbando ,dedo a dedo ,corpo a corpo tecendo um cálice de mar sobre o vértice da ilusão…… ……. e no imenso silencio as mãos tremulas bebiam nos teus lábios invernosos a noticia do suicídio de deus
miguel castro
Estava a folhear uma revista, quando deparei com esta carta: Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser perfeito, relaxaria mais, seria mais parvo ainda do que tenho sido, na verdade, poucas coisas levaria a sério. Seria menos higiénico. Correria mais riscos, viajaria mais. Contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Iria a lugares onde nunca fui, comeria mais gelados e menos lentilhas, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários. Eu fui dessas pessoas que viveu sensata e profundamente cada minuto da vida. Claro que tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disto é feita a vida, só de momentos; não perca o de agora. Eu era desses que não ia a parte alguma sem um termómetro, uma botija de água quente, um guarda-chuva e pára-quedas. Se voltasse a viver outra vez, viajaria mais leve. Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da Primavera e continuaria assim até ao fim do Outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres, brincaria mais com as crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente. Mas, já viram, tenho 95 anos e sei que estou a morrer.
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