About Me
Sobre mim... nada devo dizer.
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Interests
Bin Laden, vida sexual dos gambozinos, matar mosquitos que não me deixam dormir, descascar cebolas e alhos, polícias gordos de bigode que dizem "ora boas tardes", filas de espera, encostar dois telemóveis e deixar dois desconhecidos a conversar, gaffes e asneiras do Bush, corridas de caracóis, manuais de instruções complicados, assuntos extremamente interessantes mas sem interesse nenhum, acordar os meus vizinhos a meio da noite, dar indicações erradas a turistas espanhóis perdidos nas ruas de Lisboa, e tantas outras coisas...
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Favorite Music
Hip-Hop, Classical, Alternative, Chill Out, Lounge.
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Favorite Movies
Eyes Wide Shut, Lost in Translation, The Hours, Pulp Fiction, A Rosa Púrpura do Cairo, Great Expectations, Snatch, Morte em Veneza, Usual Suspects, Amélie Poulain, Le Goût des Autres, Modern Times, Star Wars, The Godfather, Ma Saison Préférée, O Sol Nasce para Todos, Metropolis, Hable con Ella, Janela Indiscreta, Cidade de Deus, Léon, Forrest Gump, Les Vacances de M. Hulot, Mar Adentro, Jason Bourne, Cartas de Iwo Jima, As Vidas dos Outros, Schindler's List, Casablanca, The Double Life of Véronique, American Beauty, Bowling for Columbine, Kubrik, Tati, Lynch, Kieslowski, Almodovar, Chaplin, etc.
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Favorite Books
Requiem (Tabucchi), Um Dia na Vida de Ivan Denisovich (Soljenitsin), Ensaio sobre a Lucidez (Saramago), O Pêndulo de Foucault (Eco), Crisis of the Republic (Arendt), Estados Párias (Chomsky), Dojoji (Mishima), 14.99 Euros (Beigbeder), Les fleurs du Mal (Baudelaire), Cartas Morais a Sofia (Rousseau), Memórias de Adriano (Yourcenar), Tratado sobre a Tolerância (Voltaire), O Processo (Kafka), A Cidadela (Saint-Exupéry), As Farpas (Eça), Men at War (Hemingway), O Lobo das Estepes (Hesse), O Retrato de Dorian Gray (Wilde), O Perfume (Suskind), Cem anos de solidão (García Márquez), Carta sobre os cegos destinada aos que vêem (Diderot), Livro do Desassossego (Pessoa), Vinte e quatro horas da vida de uma mulher (Zweig), Crepusculário (Neruda), A Montanha Mágica (Mann), Dias exemplares (Cunningham), Yeni Hayat (Pamuk), As velas ardem até ao fim (Márai), As Leis do Espírito (Vauvenargues), Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), As Rosas de Atacama (Sepúlveda), Poèmes Saturniens (Verlaine), etc.
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Favorite Quote
«Nao há nada de nobre em sermos superiores aos outros. A verdadeira nobreza consiste em sermos superiores ao que éramos antes...» (John Stuart Mill, in Utilitarismo)
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Journal
"As frases perdem seu sentido, as palavras perdem sua significação costumeira, como dizer das árvores e das flores, dos teus olhos e do mar, das canoas e do cais, das borboletas nas árvores, quando as crianças são assassinadas friamente pelos nazis? Como falar da gratuita beleza dos campos e das cidades, quando as bestas soltas no mundo ainda destroem os campos e as cidades? Já viste um loiro trigal balançando ao vento? É das coisas mais belas do mundo, mas eles e os seus cães danados destruíram os trigais e os povos morrem de fome. Como falar, então, da beleza, dessa beleza simples e pura da farinha e do pão, da água da fonte, do céu azul, do teu rosto na tarde? Não posso falar dessas coisas de todos os dias, dessas alegrias de todos os instantes. Porque elas estão perigando, todas elas, os trigais e o pão, a farinha e a água, o céu, o mar e teu rosto. Contra tudo que é a beleza quotidiana do homem, o fascismo se levantou, monstro medi de torpe visão, de ávido apetite assassino. Outros que falem, se quiserem, das árvores nas tardes agrestes, das rosas em coloridos variados, das flores simples e dos versos mais belos e mais tristes. Outros que falem as grandes palavras de amor para a bem-amada, outros que digam dos crepúsculos e das noites de estrelas. Não tenho palavras, não tenho frases, vejo as árvores, os pássaros e a tarde, vejo teus olhos, vejo o crepúsculo bordando a cidade. Mas sobre todos esses quadros bóiam cadáveres de crianças que os nazis mataram, ao canto dos pássaros se mesclam os gritos dos velhos torturados nos campos de concentração, nos crepúsculos se fundem madrugadas de reféns fuzilados. E, quando a paisagem lembra o campo, o que eu vejo são os trigais destruídos ao passo das bestas nazis, os trigais que alimentavam antes as populações livres. Sobre toda a beleza paira a sombra da escravidão. É como uma nuvem inesperada num céu azul e límpido. Como então encontrar palavras inocentes, doces palavras de carícia, versos suaves e tristes? Perdi o sentido destas palavras, destas frases, elas me soam como uma traição neste momento.
Mas sei todas as palavras de ódio, do ódio mais profundo e mais mortal. Eles matam crianças e essa é a sua maneira de brincar o mais inocente dos brinquedos. Eles desonram a beleza das mulheres nos leitos imundos e essa é a sua maneira mais romântica de amar. Eles torturam os homens nos campos de concentração e essa é a sua maneira mais simples de construir o mundo. Eles invadiram as pátrias, escravizaram os povos, e esse é o ideal que levam no coração de lama. Como então ficar de olhos fechados para tudo isto e falar, com as palavras de sempre, com as frases de ontem, sobre a paisagem e os pássaros, a tarde e os teus olhos? É possível porque os monstros estão sobre o mundo soltos e vorazes, a boca escorrendo sangue, os olhos amarelos, na ambição de escravizar. Os monstros pardos, os monstros negros e os monstros verdes.
Mas eu sei todas as palavras de ódio e essas, sim, têm um significado neste momento. Houve um dia em que eu falei do amor e encontrei para ele os mais doces vocábulos, as frases mais trabalhadas. Hoje só o ódio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo. Só o ódio ao fascismo, mas um ódio mortal, um ódio sem perdão, um ódio que venha do coração e que nos tome todo, que se faça dono de todas as nossas palavras, que nos impeça de ver qualquer espectáculo - desde o crepúsculo aos olhos da amada - sem que junto a ele vejamos o perigo que os cerca. Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperança. Jamais os livros diriam coisas belas, nunca mais seria escrito um verso de amor. Sobre toda a beleza do mundo, sobre a farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar, sobre teus olhos também, se debruçaria a desonra que é o fascismo, se eles tivessem conseguido dominar o mundo. Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras doces e frases de carícia. Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte. Não encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas encontrarás um punhal ou um fuzil, encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza, contra aqueles que amam as trevas e a desgraça, a lama e os esgotos, contra esses restos de podridão que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!" Jorge Amado (1945)
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