"É surpreenente como o dia-a-dia passa por nós. tão suficientemente superficial. e basta.
e quando uma força maior nao nos puxa pelos cabelos de manhã, deixamo-nos ficar. a isolar aquilo que somos de todo o resto.
e vamos ficando cada vez mais dormentes... uma dormencia da alma, uma inevitabilidade da consciencia.
gosto de ver o sol romper a manhã. mas algo me prende. o medo. os dias assim sao maiores. maior é também o vazio e a superficialidade.
tenho sempre tanto que fazer... gosto da ocupação. distrai-me o pensamento. e tantos afazeres, só para que chegue depressa a noite."
Mirtilo Gomes